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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Foi

Desde muito novo que me apercebi que as coisas que eu construía eram destruídas por forças fora do meu controle, e mesmo do meu conhecimento.

Ainda me recordo das "Fortalezas" feitas com areia, na praia. 

De repente lá aparecia uma onda, destruía e levava um bocado...e eu voltava a pegar em mais areia e reparava a falha.

Em breve as ondas eram mais fortes e levavam mais areia, chegando a galgar os muros mais altos.
Ao fim de pouco tempo a água passava por cima de tudo.
Um pouco mais, e no local onde estivera uma fortaleza de areia, estava areia lisa,
como se nada tivesse sido feito,
como se nada tivesse acontecido.

Isto já me voltou a acontecer muitas vezes.

(Já alguma vez viram a expressão duma criança que passa por isto?)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Tesouros da infância

Aprendera eu, ainda na minha infância, e pela mão do meu venerável avô, a visitar os animais que vivem nos lagos dos espaços ajardinados da cidade. Para além do recreio do passeio e da boa conversa, motivava-nos a partilha de alguns bocados de pão com toda aquela bicharada...
Aconteceu que o tempo passou, e o meu avô partiu deste mundo, mas deixou-me este rito, que também é recordativo dos bons momentos que passámos, e que perpassando no tempo, ainda reverbera nestes dias em que ainda vivo nesta terra.

Entretanto "iniciei" outras pessoas, que eram meus colegas, e que apesar da reconhecida infantilidade do gesto, que para eles não era um rito, nele acabaram por manifestar grande gozo. E em breve, eram eles a recordar que deveríamos guardar alguns bocados de pão do nosso almoço, para que na nossa passagem pelo lago, os déssemos à bicharada, que com o tempo parecia já nos reconhecer...

(Vocês haviam de se deliciar a apreciar o entusiasmo e a alegria de três indivíduos, já com alguma idade, a partir o pão e a atirar para os patos, cisnes, e outros!...)

Atenção às referências da infância!
São como tesouros que nos puxam para nós próprios...